Pablo Carballada

Que ben vos preste!

Arquivos de Abril de 2007

Zeca Afonso

Há 20 anos morria, vítima da esclerose lateral amitrófica aos 58 anos de idade, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso, o cantor de Aveiro que enfrentou o régime salazarista desde a sua atividade musical e cultural em Portugal e nas colônias africanas.

Com certeza, os acontecementos que ele viveu quando era criança marcaram profundamente as idéias do Zeca para o resto da sua vida. O contato com a crueldade do colonialismo em Angola e Moçambique, o fascismo dentro da sua própria família, ou a miséria dos arrabaldes do Porto serviram para inspirar a sua atitude revolucionária.

Editou 28 discos originais, quase todos com a Orfeu. Começou sendo bicho-cantor durante os anos boêmios da sua vida universitária em Coimbra. Cultivou todas as variantes da música popular portuguesa, desde o clásico fado de Coimbra até a música de intervenção que o converteu no símbolo da Revolução dos Cravos. José Afonso é o grande trovador da música portuguesa.

O Zeca teve que aguentar a censura em muitas das suas canções e também foi expulso do ensino público, além de ser detido muitas vezes pela PIDE durante os anos da ditadura de Salazar. Considerado um símbolo da resistência democrática, colaborou com o PCP (Partido Comunista Português) e a LUAR (Liga Unitária de Acção Revolucionária).

Nem a ameaça constante dos fascistas, nem as dificuldades econômicas nem a sua fraca saúde conseguiram fazer calar a voz do Zeca até o mesmo dia da sua morte.

GRÂNDOLA, VILA MORENA

Não é a sua melhor canção, mas é um símbolo para toda uma geração de portugueses. Foi incluida no disco Cantigas do Maio em 1971 e apresentada ao público em Santiago de Compostela em maio de 1972. José Afonso a escreveu em 1964 como homenagem à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, de Grândola, vila alentejana onde ele tinha feito uma actuação naquele ano.

Foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas para ser a segunda senha de sinalização da Revolução. A primeira senha seria E Depois do Adeus, de Paulo de Carvalho, que representou a Portugal na Eurovisão desse ano.

Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, a Grândola foi tocada no programa Limite da Rádio Renascença. O que aconteceu depois é história.

Podem a escutar aqui.

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